“Antes do pódio, tem muito sacrifício”

“Antes do pódio, tem muito sacrifício”

Hugo Calderano trabalha duro para quebrar todas as marcas do tênis de mesa no País

Hugo Calderano é reconhecidamente o mais novo fenômeno do tênis de mesa mundial. Aos 21 anos, o carioca é o único brasileiro a conquistar uma medalha em um Grand Slam da modalidade. A façanha foi obtida no início do mês passado, com o vice-campeonato do Aberto do Qatar, onde ele enfrentou (e venceu) alguns dos melhores do mundo.
Ídolo de jovens mesa-tenistas brasileiros, Calderano acumula resultados expressivos para o País. Em 2014 ele ganhou o bronze nos Jogos da Juventude de Nanquim, China. Depois, foi ouro no Pan-Americano de Toronto-2015, no Canadá. Chegou às oitavas de final dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, igualando a melhor campanha do Brasil nas Olimpíadas, obtida por Hugo Hoyama em Atlanta-1996.

O mesa-tenista fala, em entrevista exclusiva ao Comércio, sobre os principais obstáculos da carreira esportiva de uma modalidade não tão popular no Brasil, de seus próximos desafios como atleta, e do que ele sabe sobre o tênis de mesa em Jaú.
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Comércio – Você imaginava, ainda tão jovem, figurar na elite do tênis de mesa mundial?
Hugo Calderano – Desde o início da minha carreira eu tinha o objetivo de alcançar o nível dos melhores jogadores do mundo. Venho trabalhando muito para isso. Sempre acreditei que isso iria acontecer.
Comércio – No Brasil, muitas vezes o tênis de mesa, popularmente chamado de pingue-pongue, é visto apenas como um hobby. Você acredita que o esporte poderá mudar de patamar?
Hugo Calderano – Acho que com os resultados internacionais relevantes para o Brasil, mais pessoas vão conhecer o tênis de mesa, e descobrir como ele pode ser emocionante.
Comércio – Desde 2014, você mora e treina na Alemanha. Como foi sua adaptação? 
Hugo Calderano – Minha adaptação foi tranquila, porque desde o início eu tinha muita certeza do que queria alcançar. Claro que sinto falta da minha família, mas minha vontade de vencer me motiva diariamente.
Comércio – O conceito de treinamento europeu é diferente em relação ao que você praticava aqui no Brasil? 
Hugo Calderano – Meu treinamento hoje é diferente, principalmente em relação à intensidade.
Comércio – Hoje você é ídolo de muitos mesa-tenistas. O que diria a eles sobre os desafios da carreira esportiva?
Hugo Calderano – É muito gratificante receber mensagens do pessoal que está começando a jogar e até de pessoas que pararam e resolveram voltar a praticar o tênis de mesa. Não é fácil construir uma carreira como atleta. Antes do pódio, tem muito sacrifício e muita frustração.  Mas cada profissão tem os seus próprios desafios. O importante é fazer o que se ama e ser feliz com isso.
Comércio – Em Jaú, temos praticantes e profissionais capacitados no tênis de mesa. Porém, nem sempre o apoio chega, e as dificuldades para manter os projetos são grandes. Você acha que essa realidade ainda pode mudar?
Hugo Calderano – Acredito que, fora o futebol, todas as modalidades esportivas no Brasil estão sofrendo com falta de investimento após os Jogos Olímpicos. O tênis de mesa, sendo uma modalidade pouco popular, acaba sofrendo ainda mais. Espero que meus resultados internacionais ajudem a trazer mais popularidade para o tênis de mesa, mais interesse e, consequentemente, mais investimento para projetos sociais e de alto rendimento.
Comércio – Você conhece o tênis de mesa de Jaú? Já competiu com eles?
Hugo Calderano – Conheço a Associação Jauense de Tênis de Mesa (AJTM). A Dani Bassi acompanha a minha carreira desde o início. Nas categorias de base, sempre enfrentava seus atletas.
Comércio – Quais são os seus próximos desafios nesta temporada? 
Hugo Calderano – Neste primeiro semestre, estamos na reta final da Champions League e da Bundesliga (campeonato alemão), com a minha equipe, o TTF Liebherr Ochsenhausen. Com a seleção brasileira, o Campeonato Mundial por equipes é a principal competição nos próximos meses.
Comércio – O que você projeta até a Olimpíada de Tóquio, em 2020?
Hugo Calderano – Pretendo seguir trabalhando duro, para chegar a Tóquio na minha melhor forma técnica, física e psicológica.
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Raio X 
Nome completo
Hugo Marinho Borges Calderano
Nascimento e local
22.jun.1996 (21 anos), no Rio de Janeiro (RJ)
Altura e peso
1,82 m e 74 kg
Clube atual
TTF Liebherr Ochsenhausen (Alemanha)
Principais conquistas
• 9º lugar na Olimpíada do Rio de Janeiro-2016
• Prata (individual), no Aberto do Qatar-2018
• Ouro (individual e equipe) no Pan-Americano de Toronto-2015
• Bronze (individual) na Olimpíada da Juventude de Nanquim-2014
Ranking atual
• 12º lugar na lista da ITTF (a melhor marca já alcançada por um brasileiro na história)
Curiosidades
• Começou a praticar tênis de mesa aos 8 anos
• Com 14 anos, mudou-se para São Caetano do Sul (SP) para treinar com a seleção brasileira
• Em 2013, foi o mais jovem mesa-tenista a vencer uma etapa do circuito mundial
• Desde agosto de 2014, Hugo defende a equipe de Ochsenhausen, na primeira divisão alemã
• Hugo consegue montar um cubo mágico em 11s, em média
• É vegetariano
Fonte: site oficial e reportagem local – Jornal Comércio do Jahu

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